O autoconhecimento, ou conhecimento de si, não deve ser visto como um projeto de autocrítica, mas de natureza ética, onde se busca realizar algo que leve o homem a ser dono de si, que governe a si mesmo, que seja o comandante do seu destino e, portanto, um ser humano melhor.
É uma jornada em busca do homem inteiro, completo e da própria individualidade, a fim de descobrir quem sou, de onde vim e qual a razão de eu estar reunido no meio dos vivos.
O autoconhecimento deve ser entendido como uma conquista que traz liberdade, isto é, a ausência de submissão, de servidão, pois aquilo que não conheço me escraviza, e aquilo que conheço me torna livre.
Além do mais, um profundo conhecimento de si abre caminho para o conhecimento do outro.
Quando descobrimos quem somos, encontramos a paz interior, que é um estado de harmonia universal, de completude. Uma vez encontrada essa paz interior, podemos tomar decisões de acordo com a nossa consciência.
Então, haverá mais escolas e menos prisões, mais amor e menos violência, mais livros e menos armas, menos ganância e mais justiça, mais virtudes e menos vícios.
“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”, ensinava, cerca de 2.000 anos atrás, o Nazareno, autor do mais perfeito código de relacionamento entre os homens.
Com afeto,
Avô Pietro

Valdi, era no templo de Delfos que a Pitonisa mantinha seu “consultório”, onde atendia clientes que vinham de todas as partes do mundo conhecido da época.
ResponderExcluirLá ela se debruçava sobre a trípode, uma espécie de gamela sustentada por três pernas (daí o nome) que ficava sobre um fogo sempre aceso. Na trípode eram colocadas certas ervas que ao serem queimadas produziam vapores que inspirados pela Pitonisa faziam-na entrar num tremendo barato e ela ficava doidona. O “cliente” fazia sua pergunta – geralmente sobre mistérios que o afligiam – e a mulher, puxando uma cafungada na fumaça e já “viajando” a mil por hora, dizia uma frase apenas. Tipo: “as nuvens não penetram no Etna”. Aí o “cliente” – que aliás tinha que pagar uma nota pela consulta – sentindo-se mais ignorante do que antes, saia e ia consultar os sacerdotes para tentar entender o que significava aquilo. Estes, além de não lhe explicar coisa alguma, pois coisa alguma entendiam, cobravam-lhe mais uns trocados, e o sujeito voltava p’ra terra dele mais duro e menos esclarecido.
Felizes eram aqueles que à maneira de um I Ching, ou de uma consulta psicanalítica rica em associações livres, percebiam que qualquer coisa que a Pitonisa lhes dissesse lhes serviria na medida em que eles estivessem dispostos a investir em seu autoconhecimento. No caso proposto, alguém que decidisse ficar na superfície concluiria que se as nuvens não penetram no Etna é porque haveria seca no ano seguinte e sua colheita estaria arruinada. Já aqueles que mergulhassem no seu próprio interior poderiam concluir que as raízes também precisam de alimento constante, ou de que se ele não liberasse seus “demônios” internalizados ele não se tornaria livre, e os mais imaginativos concluiriam que nas trevas só se precisa de um olho apenas para enxergar, daí a explicação do fato de os Ciclopes do Etna terem um olho só. Etc, etc, etc....
Enfim: autoconhecimento resulta de muito trabalho, abnegação e honestidade.
Obrigado pelo blog, que ele estimule nossos questionamentos interiores.
Abraço forte.
Mendel
cresci ouvindo meu avo citar essa frase ..... mas o chamado chega para cada um de acordo com a sua necessidade ou grau de amadurecimento.
ResponderExcluirAbrir um espaço para nos observarmos e trilhar esse novo caminho, nos leva a refletir sobre nossos atos,sentimentos e sobretudo sobre os reais valores da vida.Espero poder contar com o avo Pietro para esclarecer alguns pontos, para discutir outros e para tentar avançar sempre em busca do auto- conhecimento.